Verão aumenta a incidência de escorpiões nos centros urbanos
Adaptação às redes de esgoto é um dos fatores da proliferação e consequentemente dos ataques
O calor e as chuvas típicas do verão aumentam o número de aparecimento de escorpiões nos ambientes urbanos. A infestação destes animais acontece no verão porque é neste período que eles se reproduzem, explica o biólogo e entomologista urbano, André Luís Fernandes. De acordo com ele, os escorpiões amarelos (Tytius serralatus) é o que mais preocupa por ser o mais perigoso, já que o volume de seu veneno injetado na vítima é maior, mais potente e atua principalmente no sistema nervoso. “A substância provoca dor intensa, acelera a pulsação, abaixa a temperatura do corpo e pode matar dependendo da sensibilidade da vítima”, fala André Luís. Segundo ele, relatos indicam a possibilidade de esta espécie estar aumentando em relação à do escorpião marrom (Tytius bahiensis).
O biólogo explica que um dos motivos da proliferação do escorpião amarelo é a sua adaptação a um novo habitat – as redes de esgotos. “A migração e a adaptação desses animais para a rede de esgoto se revelam notáveis, pois é neste local que eles encontram as baratas, que são suas principais fontes de alimentos”, informa. Ainda segundo André Luís, este novo local deixa os escorpiões protegidos das ações normais de controle e facilita o acesso desses aracnídeos às tubulações de esgoto das residências, condomínios de apartamentos, empresas e outros estabelecimentos urbanos. “Hoje se encontra escorpiões no segundo ou no terceiro andar de apartamentos ou casas sobradas e em partes superiores que não se tinham notícias algum tempo atrás”, diz André Luís.
Dados da Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo revelam que dos 8.057 casos acidentes com animais peçonhentos ocorridos no ano de 2005 em todo o estado paulista, quase a metade – 3.838 foram provocados por picadas de escorpiões.
Como controle dessas pragas, o biólogo sugere a instalação de válvula de retenção de esgoto na saída da casa para a rua, impedindo o acesso dos escorpiões pela rede de esgoto. Dentro das residências, eliminar os possíveis abrigos e fontes de alimento, como baratas e insetos, que fazem parte da cadeia alimentar dos escorpiões. “Vedar ralos e pontos de rede elétrica, não acumular madeiras, telhas, entulhos e outros materiais em jardins também são alguns métodos preventivos. Manter limpos os terrenos colabora para evitar a presença dos escorpiões, além das aranhas e outras pragas urbanas”, explica.
Além dessas medidas, o controle de pragas deve ser realizado, empregando produtos de comprovada eficiência por meio de empresas especializadas. “Atualmente, o desinfetante mais indicado e o que tem apresentado os melhores resultados é um que apresenta microcápsulas do ingrediente ativo em sua formulação”, diz. “É importante também que esse controle químico seja feito por uma empresa especializada em controle de vetores e pragas urbanas, que possua a Licença de Funcionamento emitido pelo Centro de Vigilância Sanitária e tenha um responsável técnico qualificado em tempo integral na empresa para coordenar todas as ações, conforme determina a portaria CVS-09”, complementa.
O biólogo orienta que em caso de picada de escorpião, a vítima deve procurar imediatamente um serviço de saúde. Na RMC (Região Metropolitana de Campinas), deve-se procurar o CCI (Centro de Controle de Intoxicações) da Unicamp, que realiza atendimento 24 horas por dia e fornece orientações em caso de emergência de picadas e ferroadas. O número do telefone do CCI é (19) 3788-7555.
COMPORTAMENTO
De acordo com o biólogo, a origem dos escorpiões remonta a mais de 400 milhões de anos. Carnívoros, são predadores noturnos e durante o dia permanecem escondidos em locais protegidos. A reprodução dos escorpiões difere quanto ao tipo. No escorpião amarelo, ela se dá por partenogênese, isto é, os óvulos se desenvolvem e originam um novo indivíduo sem a necessidade de uma fecundação. A fêmea só precisa de boas condições de calor e alimentação. No caso do escorpião marrom, a reprodução é cruzada com o encontro do macho e da fêmea. Em ambos os casos, o número de filhotes varia de 15 a 25.
Serviço
André Luís Fernandes é biólogo com especialização em Entomologia Urbana e Saúde Pública, Responsável Técnico da empresa TECPRAG, membro da Sociedade Brasileira Sobre Vetores e Pragas Sinantrópicas (SBVP), da Sociedade Entomológica do Brasil (SEB), da National Pest Manegement Association (USA), entre outras instituições. Atuou como Congressista e Palestrante em diversos eventos da área e idealizou o programa GIP TECPRAG - Gerenciamento Integrado de Pragas.
A Resolução RDC nº 216, de 15 de setembro de 2004, entrou em vigor em março de 2005 e dispõe sobre Regulamento Técnico de Boas Práticas para Serviços de Alimentação, da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) pode ser acessada na íntegra no website: www.anvisa.gov.br
|