Primavera contribui para a proliferação dos cupins As espécies infestam as cidades e são responsáveis por
prejuízos de até US$ 10 bi
A primavera é o mês das flores e também o dos cupins. Dos 250 tipos existentes no Brasil, dois grandes grupos no meio urbano causam danos ao patrimônio, de acordo com o biólogo e Entomologista Urbano, André Luís Fernandes. De acordo com ele, os cupins subterrâneos que vivem no solo, árvores e edificações e os cupins de madeira seca, que vivem exclusivamente dentro de peças de madeira, tornam-se um problema com a chegada da primavera até o final do verão. Segundo os especialistas, os cupins são responsáveis por um prejuízo de até US$ 10 bilhões anuais em tratamentos, reparos, substituição dos materiais atacados e em perdas do patrimônio histórico cultural em todo o mundo.
Na explicação do biólogo, as colônias desses dois grupos permanecem ativas durante o ano todo, mas é nessa época de dias mais quentes e úmidos que ocorrem as revoadas, principalmente ao entardecer, com as nuvens de siriris ou aleluias ao redor das lâmpadas acesas. “O que a maioria das pessoas não imagina é que estes insetos são as formas reprodutoras dos cupins, que saem dos ninhos para formar novas colônias”. A presença dos cupins também pode ser percebida em pequenos orifícios nos objetos e mobiliário. São nestes locais que as espécies de madeira seca liberam resíduos fecais secos e granulados, conhecidos popularmente como “pozinho de cupim”. Entre os cupins subterrâneos, o principal indício é a presença de galerias de terra em paredes, lajes, forros, interior de armários, rodapés e molduras.
Os cupins são insetos sociais e extremamente organizados, assim como as formigas e as abelhas. “Estão presentes o rei, a rainha, os soldados que defendem o ninho, os operários e os reprodutores”, explica Fernandes. Para se ter uma idéia da grandeza e do perigo dessa sociedade, a rainha é capaz de colocar um ovo a cada 28 segundos e a sua vida pode variar de 25 a 50 anos.
PREVENÇÃO CONTRA OS ATAQUES
O biólogo sugere medidas preventivas, como o pré-tratamento do solo com o uso de cupinicidas profissionais e o combate à umidade no caso das construções. Para uma edificação pronta são indicadas vistorias trimestrais nos armários embutidos e planejados, nos gabinetes de pias, nos maleiros e em locais onde existam documentos, livros e caixas de papelão armazenados. Os cupins de madeira seca atacam móveis, molduras, batentes, livros, estruturas de madeira e instrumentos musicais. “Fazer a descupinização preventiva nas instalações do imóvel e nas peças de madeira evita o ataque dos cupins”. Fernandes alerta que a desinsetização comum não emprega as técnicas da descupinização. “São serviços distintos”.
Ainda de acordo com o biólogo, os cupins são extremamente discretos e o crescimento de suas colônias é lento, o que resulta na descoberta tardia de sua presença. “Se for observada a infestação, o ideal é contratar uma empresa de controle de vetores e pragas urbanas que possua o Alvará de Funcionamento emitido pelo Centro de Vigilância Sanitária e por órgãos reguladores locais”. André Luís Fernandes acrescenta que estas empresas, além de capacidade técnica para realizar serviços de descupinização devem possuir em seu quadro técnico profissionais com conhecimento em construção civil,instalações elétricas e hidráulicas.
Os cupins subterrâneos atacam as edificações, e são extremamente vorazes, suas colônias podem ter mais de 1 milhão de indivíduos. O meio urbano proporciona inúmeros locais onde os cupins fazem seus ninhos como árvores com troncos ou raízes deterioradas, por exemplo. “São abrigos ideais por causa da umidade que os cupins necessitam e fontes de alimento. Com essas condições favoráveis, as infestações expandem-se ano após ano nos centros urbanos por meio das revoadas, que chegam às edificações”, explica.
Serviço André Luís Fernandes é biólogo com especialização em Entomologia Urbana e Saúde Pública, Responsável Técnico da empresa TECPRAG, membro da Sociedade Brasileira Sobre Vetores e Pragas Sinantrópicas (SBVP), da Sociedade Entomológica do Brasil (SEB), da National Pest Manegement Association (USA), entre outras instituições. Atuou como Congressista e Palestrante em diversos eventos da área e idealizou o programa GIP TECPRAG - Gerenciamento Integrado de Pragas.
A Resolução RDC nº 216, de 15 de setembro de 2004, entrou em vigor em março de 2005 e dispõe sobre Regulamento Técnico de Boas Práticas para Serviços de Alimentação, da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) pode ser acessada na íntegra no website: www.anvisa.gov.br